A Lenda das Xicas – As Galinhas que Guardam a Memória de Vila de Rei

A Lenda das Xicas – As Galinhas que Guardam a Memória de Vila de Rei

A Lenda das Xicas – As Galinhas que Guardam a Memória de Vila de Rei

Em Vila de Rei, no coração do Centro de Portugal, há histórias que não vivem só em livros. Vivem nos pinhais, nas aldeias, nas mãos que trabalham a terra e na memória de quem aqui nasceu. Uma dessas histórias é a das Xicas – as galinhas que, muito antes de serem de pano, foram o orgulho e o sustento das casas do Pinhal Interior.

Hoje, na Tipicaria, essa lenda ganha nova forma em galinhas de pano feitas à mão. Mas para perceberes de onde vêm as Xicas, temos de recuar muitos, muitos anos.


1. As terras do Rei Lavrador

Em tempos antigos, estas serras faziam parte das terras de D. Dinis, o Rei Lavrador – o mesmo que mandou plantar o Pinhal de Leiria e que acreditava que Portugal só crescia se a sua terra florescesse primeiro.

O Pinhal Interior era duro e exigente: montes íngremes, caminhos de pedra, cheiro a resina, troncos pesados e pouca terra boa para cereais. Sem grandes campos de trigo, era preciso encontrar outras formas de garantir comida na mesa.

A resposta estava mesmo ali, a correr pelo terreiro.


2. As verdadeiras guardiãs da casa

As galinhas eram o coração da economia familiar. Davam ovos todos os dias, animavam a eira e garantiam alimento mesmo quando o inverno apertava. As cabras limpavam os matos do pinhal, os porcos eram guardados para a dispensa… mas as galinhas eram o verdadeiro tesouro da casa.

Eram tantas, mas tantas, que ainda hoje Vila de Rei é grande produtora de ovos em Portugal. As galinhas faziam parte da paisagem, da rotina e da identidade da terra.


3. O templário inglês que mudou um nome

Conta a lenda que, numa tarde quente de verão, chegou a Vila de Rei um templário inglês fugido da perseguição em Inglaterra e em busca de refugio junto de D. Dinis, cansado de dias de viagem pelas serras. Quando entrou na aldeia e olhou para a eira, ficou espantado: dezenas de galinhas corriam de um lado para o outro, vaidosas e atrevidas, como se fossem donas do lugar.

Surpreendido, exclamou em voz alta:

“Chickens! So many chickens!”

O povo, que não percebia inglês, olhando uns para os outros, tentaram repetir o som, à maneira portuguesa:

“Xiquens?… Xicas?”

E assim ficou. O que era chickens transformou-se em Xicas – um nome curto, simples e cheio de graça, perfeito para batizar as galinhas da terra.


4. Símbolo de fartura, alegria e trabalho

Com o tempo, as Xicas deixaram de ser apenas galinhas. Tornaram-se símbolo de fartura, alegria e trabalho honesto. Representavam a vida simples, mas digna, das famílias dos territórios do Pinhal Interior – gente que não tinha muito, mas fazia muito com o que tinha.

Dizem que cada Xica traz consigo um bocadinho da aventura do templário inglês, a força das serras e o espírito generoso das casas de antigamente. São pequenas, mas carregam uma história grande.


5. As Xicas renascem na Tipicaria

Hoje, na Tipicaria, as Xicas regressam em forma de galinhas de pano artesanais, feitas devagar, uma a uma. Cada tecido é escolhido com carinho, cada ponto é cosido à mão e cada Xica ganha o seu próprio carácter – não há duas iguais.

São peças de artesanato, mas também são mais do que isso: são guardas de memória. Lembram-nos de onde vimos, do valor do trabalho manual e da ligação à terra.

Quando uma Xica vai para tua casa, leva consigo um pedacinho de Vila de Rei, da sua história e da sua gente.


6. Dos nossos territórios, para a tua casa

Na Tipicaria acreditamos que o artesanato é uma forma de contar histórias. Cada Xica é uma personagem dessa história maior: a do nosso território, das tradições que não queremos perder e da identidade que queremos honrar.

As Xicas são pequenas, atrevidas e inesquecíveis. Tal como Vila de Rei.

Dos nossos territórios.


Queres conhecer as Xicas ao vivo?

Se esta lenda te tocou, deixa que uma Xica te faça companhia aí em casa. Cada uma é única, feita à mão e cheia de alma.

Ver as Xicas na loja

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